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Pesquisadores brasileiros desenvolvem protetor solar e anti-inflamatório com restos de pequi

Por: Lohrrany Alvim
27/11/2021 – 10h27

As novidades já foram patenteadas e aguardam aprovação da Anvisa para serem comercializadas.(Foto reprodução Internet)

 

A estação mais quente do ano está quase chegando e, desde já, a temperatura começa a ficar mais elevada. Por conta disso, a nossa exposição ao sol aumenta e ficamos mais suscetíveis aos riscos de contrair alguma doença na nossa pele. Não utilizar protetor solar diariamente também está diretamente relacionado ao envelhecimento da pele, podendo causar ressecamento que resulta na desidratação, flacidez e no surgimento de rugas e linhas de expressão.

Talvez você já soubesse dessa informação. Mas você sabia que o pequi, fruto típico do Cerrado, pode te ajudar a se cuidar? Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) encontraram uma maneira barata de desenvolver não apenas um protetor solar feito com pequi, mas também um anti-inflamatório. Os estudos começaram em 2016.

 

Pequi para a pele

O óleo de pequi (Caryocar brasiliense), extraído a partir da polpa e da amêndoa do fruto, já é utilizado na indústria farmacêutica e de cosméticos. Porém, o que sobra após esse processo (cerca de 90% da massa) geralmente é descartado. Foi esse cenário que motivou os pesquisadores a encontrar uma forma de aproveitar os restos do fruto.

Assim, foram criados a partir dos resíduos de pequi, um creme com atividade anti-inflamatória e um protetor solar com propriedades antioxidantes, capazes de retardar o envelhecimento da pele. Os resultados foram promissores em testes farmacológicos.

“Tivemos a mesma resposta que produtos já consolidados no mercado, utilizando uma matéria-prima genuinamente brasileira que iria para o lixo”, ressalta a bioquímica Lucinéia dos Santos.

Ela destaca ainda os benefícios que o aproveitamento das sobras do pequi pode proporcionar. Segundo Lucinéia, a economia social das famílias que dependem do fruto também pode melhorar com o aproveitamento desse material de forma sustentável.

Para produzir uma bisnaga de 60 gramas do novo creme anti-inflamatório, o custo aproximado seria de R$ 8,10. Atualmente, a mesma quantidade de um creme anti-inflamatório comercial, também feito com ativos naturais, chega a ser vendida por R$ 65,00.

“A indústria farmacêutica não para de buscar novas medicações e soluções estéticas que sejam eficazes, seguras, de baixo custo e que não causem consequências negativas para o organismo. Nós temos esses produtos. Além disso, nossas inovações contribuem para o bem-estar ambiental, econômico e social, agregando valor a um resíduo que normalmente é descartado”, afirma a pesquisadora.

As novidades já foram patenteadas pela Agência Unesp de Inovação e aguardam aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para serem comercializadas.

Pequi

Para quem não sabe, o fruto é o principal produto florestal não madeireiro extraído do Cerrado. Com mais de 3 milhões de plantas produtivas, Minas Gerais responde por 70% da produção nacional do pequi. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a produção de pequi cresceu 127,9% em 2020. Em valor de produção, o acréscimo foi de 122,7%.

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