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Brasileira cria código especial para pessoas cegas identificarem cores

Por: Lohrrany Alvim
27/06/2021 – 09h28
        A ferramenta possui um símbolo para cada cor e pode ser aplicada em qualquer objeto. (Foto reprodução Internet)

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, no mundo, são 39 milhões de pessoas com algum grau de deficiência visual. Só no Brasil, são 6,5 milhões, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão. Pensando nesse grande grupo, a pesquisadora brasileira Sandra Marchi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), desenvolveu um código de símbolos que facilita a vida de pessoas cegas.

A ideia é ajudar quem não enxerga a identificar as cores em diversas situações. A linguagem especial usada pela pesquisadora pode ser impressa em adesivos para serem colados em qualquer superfície. O objetivo é aumentar a acessibilidade e permitir mais autonomia no cotidiano.

Sandra percebeu que muitos cegos utilizavam de artifícios próprios para descobrir as cores. Por conta da dificuldade, alguns chegavam até a escrever as cores em objetos pessoais para saberem o que usar ou vestir. Para a pesquisadora, a importância dessa iniciativa vai além da funcionalidade.

“Só com isso, essa autonomia, melhora a autoestima e traz qualidade de vida a toda essa população com as pessoas com deficiência visual”, ressalta.

Simplificando o ato

A forma mais comum que pessoas cegas identificam as cores é através da escrita em Braile. Para quem não sabe, o sistema é composto por 63 sinais, gravados em relevo. Esses sinais são combinados em duas filas verticais, com 3 pontos cada uma, e a leitura se faz da esquerda para a direita. No entanto, para alguns objetos como um batom, por exemplo, fica um pouco mais complicado escrever toda a palavra. Além disso, descrever cada cor exigia espaço e tempo.

O código criado por Sandra possui um símbolo para cada cor, também baseado no Braile, e pode ser aplicado para qualquer objeto, desde os menores até os maiores.

“Pegando o ponto do Braile, porque é a linguagem universal e juntando à teoria da cor. Assim eu consegui chegar ao resultado da ‘see color’. O que tornou muito fácil e muito lógico aprender”, explica a pesquisadora.

´See Color´ é a linguagem tátil das cores para cegos e deficientes visuais. Assim como o Braile, o alto relevo é utilizado para realizar a leitura do método, constituído apenas de um ponto sempre na posição central e duas linhas. Uma delas conta com diversas angulações, como ponteiros de um relógio, que formam a variação das 104 cores que compõem a linguagem. A segunda linha fica estática na horizontal abaixo.

Adaptação

Algumas pessoas já tiveram acesso ao código das cores e constataram a eficiência do método criado por Sandra. É o caso de Manoel Jesus, que contou um pouco sobre a experiência com o novo sistema para o Portal Voz do Povo do Oeste.

“É muito bom você saber as cores das roupas na hora que você está usando para sair. E também os objetos. Tenho um violino, uma bolsinha que coloco as coisas. Para mim foi uma benção, porque quando me falarem a cor da roupa que estou usando, vou ficar feliz de saber qual cor era”, comentou o telefonista.

Deficiência Visual

Deficiência visual é a limitação ou perda das funções básicas do olho e do sistema visual. Para quem se pergunta sobre a diferença, o deficiente visual pode ser a pessoa cega ou com baixa visão. As pessoas cegas necessitam do sistema de escrita e leitura em relevo (Braile). Tecnologias assistivas, como essa que mostramos aqui, representam um enorme avanço para pessoas com cegueira.

Já a percepção das pessoas com baixa visão é variável. Mas, em geral, baixa visão é definida como uma condição na qual a visão da pessoa não pode ser totalmente corrigida por óculos. Normalmente interfere nas atividades diárias, assim como na leitura e na locomoção.

 

Veja também: Empresa cria aplicativo para cegos que transforma expressões faciais em sons

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